
É engraçado que hoje coloquei no Facebook um artigo partilhado, publicado pelo
Expresso, sobre a vergonha nacional dos recibos Verdes. Tive muito poucas reacções.
Se eu falasse do tempo, da série de TV, do resultado do Benfica, provavelmente a reacção seria muito maior. Eu não percebo! As pessoas não sabem, ou não querem saber? Sinceramente… qual é o nosso problema (dos portugueses) que preferimos viver com a cabeça enfiada na areia do que enfrentar as coisas como elas são?
Esta história dos recibos verdes é muito engraçada. Há ou houve uma ideia generalizada que a maioria dos trabalhadores de RV’s seriam médicos e advogados e que, como tal, só tinham que pagar impostos bem altos porque ganhavam bem e podiam fazê-lo. Mas a realidade é completamente diferente… Hoje a grande fatia dos trabalhadores a RV’s estão em situação completamente precária e sem direito a praticamente nada.
Eu trabalho há 14 anos, e salvo raríssimos períodos, tenho tido sempre actividade aberta. Infelizmente. Não gosto, não queria e não foi por opção minha. Posso garantir que sempre que estive a trabalhar por conta de outrem tive ordenados e condições muito superiores às que tenho quando estou a RV’s. Mas a história da minha vida tem sido essa. Sempre no sítio errado, na hora errada.
Mas vejamos. Com a entrada em vigor das novas taxas de descontos para os trabalhadores independentes, um trabalhador que tire 12 mil euros anuais, uma média de 1000 euros mensais, desconta 44,1% de impostos a favor do estado.
Ou seja, e usando números redondos, um trabalhador que tenha um ordenado base de 1000 euros brutos, no final do mês fica com 599 euros para sobreviver.
Eu explico:
23% de IVA. Cobra, mas tem que devolver ao estado.
21,5% de IRS – 215 € de retenção na fonte
186 € de prestação mensal obrigatória à Segurança Social
Lindo, não é? Isto claro, para não falar do “simples” facto que pode ser “despedido” no próprio dia, sem aviso prévio e vai para casa com uma mão à frente e outra atrás, sem direito a subsídio de desemprego. Mais. Subsídio de férias, Natal, alimentação é pura utopia. Não existem.
E não vale a pena atirar areia para os olhos. A grande maioria dos RV’s trabalha 12 meses por ano no mesmo sítio, sujeito a chefia, horário de trabalho e posto de trabalho fixo. Não acumula vencimentos, nem regalias, muito menos subsídios.
Qualquer dia ponho a casa à venda, fico sem bens em meu nome, divorcio-me do meu marido (só no papel, claro!) e candidato-me ao Rendimento de Inserção Social. Sempre fico em casa, não contribuo para o crescimento do país, é certo, mas recebo certinho direitinho no fim do mês!
É a vergonha que temos…